Mirelle Cristina de Abreu Quintela
23 de setembro de 2026
Às vezes, falamos de um mundo
melhor como se ele fosse um lugar distante — algo que só será construído um
dia, por outras pessoas, em outro tempo. Mas e se o mundo melhor começar
justamente aqui, no jeito como atravessamos o nosso cotidiano?
Para construirmos um mundo melhor
— com mais amor, humanização, caridade, alteridade, serviço, solidariedade,
politização e consciência cidadã —, precisamos transformar intenções em ações
cotidianas. Essa mudança começa no micro (nossas atitudes diárias) e se
expande para o macro (nossa participação na sociedade).
A pergunta, então, não é apenas “o que o mundo precisa?”. Talvez seja também: o que eu faço, hoje, com o mundo que passa por mim?
O outro diante de mim
Alteridade e humanização não são
apenas palavras bonitas. São posturas. Começam quando praticamos a escuta
ativa, quando olhamos nos olhos das pessoas com quem interagimos — do familiar
ao prestador de serviço — e tentamos enxergar o mundo pela perspectiva do
outro, validando dores e vivências diferentes das nossas.
Amor e solidariedade também se revelam na gentileza espontânea. Pequenos gestos — apoiar um amigo em um momento difícil, elogiar alguém sinceramente, estender a mão sem esperar nada em troca — fortalecem os laços humanos. E talvez seja isso: o mundo melhora quando o outro deixa de ser paisagem e passa a ser presença.
Servir: uma consciência
funcional
Serviço não é só voluntariado ou
doação. Serviço é amor ao próximo e a nós mesmos. Servir é uma consciência
funcional, um modo de estar no mundo. É perguntar, em cada papel que
exercemos: como eu sirvo aqui?
Servir enquanto profissional,
cidadão, filho, amigo, vizinho, conterrâneo, transeunte. Servir no que nos
cabe, com competência, escuta e responsabilidade, sabendo que nossas ações
impactam quem está ao redor.
E também servir quando identificamos causas que tocam nosso coração — combate à fome, proteção animal, educação infantil — dedicando tempo ao voluntariado ou fazendo doações recorrentes para instituições sérias da nossa região. Servir, ainda, quando desapegamos do que não usamos mais e canalizamos esses recursos — roupas, livros, alimentos — para quem realmente precisa. É a cultura de doação como gesto concreto, mas também como hábito de vida.
Política, cidadania e o
chão onde vivemos
Politizar-se não é escolher um
partido. É compreender como as decisões do governo afetam a nossa vida e a da
nossa comunidade. É buscar fontes confiáveis de informação e evitar espalhar
notícias falsas. É entender que política não é um assunto distante: é o ônibus
que passa, a escola que acolhe, o posto que atende, a rua que existe.
Consciência cidadã é acompanhar o
trabalho dos governantes locais — vereadores e prefeitos —, participar de
audiências públicas, assembleias de bairro ou conselhos municipais. O voto é
apenas o primeiro passo; a participação e a fiscalização são o que gera a
mudança real. A cidadania não termina na urna. Ela começa aí.
A transformação do mundo começa
quando cada um de nós decide agir — não amanhã, mas agora. Não de forma
grandiosa, talvez. Mas de forma consciente, cotidiana, possível.
O mundo melhor não está
apenas adiante. Ele também se inscreve no que fazemos com o dia que temos.